Foro e Laudêmio no Rio de Janeiro: Quanto Custa e Quem Paga em 2026

O foro é uma taxa anual de 0,6% sobre o valor do domínio pleno do terreno, paga pelo foreiro à União. O laudêmio é de 5% sobre o valor da transação, devido à União em toda venda de imóvel em terreno de marinha, e é normalmente pago pelo vendedor. Esses valores incidem sobre imóveis construídos em terreno de marinha, comuns em bairros como Flamengo, Botafogo, Urca, Glória, Centro, Ilha do Governador, Copacabana e Leblon.

Quanto custa o foro e o laudêmio no Rio (resumo)

O foro é 0,6% ao ano sobre o valor do domínio pleno do terreno. O laudêmio é 5% sobre o valor da venda, pago à União. Em um imóvel de R$ 800.000, o laudêmio é R$ 40.000. Some ainda o ITBI de 3% (R$ 24.000 no mesmo exemplo), a escritura e o registro para chegar ao custo total da transação.

Resposta rápida

No Rio de Janeiro, imóveis situados em terreno de marinha (administrado pela SPU) podem estar sob regime de aforamento. Nesse caso, o proprietário (foreiro) paga um foro anual de 0,6% sobre o valor do domínio pleno do terreno. Quando o imóvel é vendido, incide o laudêmio de 5% sobre o valor da transação, devido à União e normalmente pago pelo vendedor, além do ITBI municipal de 3% pago pelo comprador. Sem a CAT da SPU, o cartório não registra a transferência.

Pontos-chave

  • ✓Terreno de marinha: faixa de até 33 metros da linha de preamar média de 1831, pertencente à União.
  • ✓Foro: 0,6% ao ano sobre o valor do domínio pleno do terreno, pago pelo foreiro.
  • ✓Taxa de ocupação: 2% (registros a partir de 1988) ou 5%, para imóveis apenas ocupados, sem aforamento.
  • ✓Laudêmio: 5% sobre o valor da venda (terreno + benfeitorias), pago à União, em geral pelo vendedor.
  • ✓A CAT (Certidão de Autorização de Transferência) da SPU é obrigatória para o registro da venda.
  • ✓Bairros com forte incidência: Flamengo, Botafogo, Urca, Glória, Centro, Ilha do Governador, Copacabana e Leblon.
  • ✓Alguns imóveis são foreiros à Igreja (Mitra Arquiepiscopal) ou à Família Imperial, com laudêmio próprio (comumente 2,5%), regime privado distinto do da SPU.
  • ✓Exemplo: imóvel de R$ 800.000 gera R$ 40.000 de laudêmio (5%) e R$ 24.000 de ITBI (3%).

O que é terreno de marinha

Terreno de marinha é a faixa de terra de até 33 metros contados da linha de preamar média de 1831, ao longo do litoral e das margens de rios e lagoas navegáveis. Pertence à União e é administrado pela Secretaria do Patrimônio da União (SPU), com base no Decreto-Lei 9.760/1946 e na Lei 9.636/1998.

Esse regime é especialmente relevante no Rio de Janeiro, dada a extensa orla, a baía e as lagoas da cidade, e afeta diretamente a titularidade de imóveis em muitos bairros tradicionais.

Aforamento x ocupação: qual é a diferença

Aforamento (enfiteuse)Cobrança anualForoAlíquota0,6%
Ocupação (sem aforamento)Cobrança anualTaxa de ocupaçãoAlíquota2% ou 5%

No aforamento, o particular (foreiro) detém o domínio útil do terreno, enquanto a União mantém o domínio direto. Na simples ocupação, não houve outorga formal de aforamento, mas o ocupante ainda deve a taxa anual — e ainda deve laudêmio se vender.

O que é o foro e como calcular

O cálculo é direto: valor do domínio pleno do terreno × 0,6%, cobrado anualmente pela SPU.

Foro = valor do terreno × 0,006 (pago anualmente)

O que é o laudêmio e como calcular

O laudêmio é pago uma única vez, no momento da venda: valor da transação (terreno + benfeitorias) × 5%.

Laudêmio = valor da transação × 0,05

Exemplo de cálculo: imóvel de R$ 800.000

Valor do terreno (base do foro)Alíquota0,6% ao anoValor (R$ 800.000)Foro
R$ 800.000Alíquota5%Valor (R$ 800.000)R$ 40.000

Some ainda o ITBI de 3% no mesmo imóvel de R$ 800.000: R$ 24.000, pagos pelo comprador.

A CAT da SPU: por que é obrigatória

A CAT — Certidão de Autorização de Transferência — é emitida pela SPU e é obrigatória antes da escritura. O Cartório de Registro de Imóveis não registra a transferência sem ela.

  • O foro ou a taxa de ocupação precisam estar em dia.
  • O laudêmio precisa estar pago ou formalizado junto à SPU.
  • Solicite a CAT assim que o negócio for fechado, para evitar atrasos.

Foreiros à Igreja e à Família Imperial

Alguns imóveis no Rio são foreiros à Mitra Arquiepiscopal (Igreja Católica) ou à Família Imperial, e não à SPU. Trata-se de um aforamento privado, com regras contratuais próprias e laudêmio comumente de 2,5% — separado do laudêmio federal de 5%.

Bairros do Rio com terreno de marinha

Uma parcela relevante dos imóveis destes bairros está em terreno de marinha ou terreno acrescido de marinha:

  • Flamengo
  • Botafogo
  • Urca
  • Glória
  • Centro
  • Ilha do Governador
  • Copacabana
  • Leblon

Custo total da compra de um imóvel foreiro

ITBI (3%)Estimativa (R$ 800.000)R$ 24.000Quem paga em geralComprador
Laudêmio (5%)Estimativa (R$ 800.000)R$ 40.000Quem paga em geralVendedor (negociável)
EscrituraEstimativa (R$ 800.000)~R$ 3.000–6.000Quem paga em geralNegociável
RegistroEstimativa (R$ 800.000)~R$ 2.000–4.000Quem paga em geralComprador

Veja também o guia de ITBI no Rio de Janeiro.

Quem paga o quê: comprador x vendedor

Erros comuns sobre foro e laudêmio no Rio

  • Confundir o laudêmio (5%, SPU) com o ITBI (3%, prefeitura) — são cobranças separadas.
  • Não verificar na matrícula a condição de aforamento/ocupação antes de negociar.
  • Confundir o laudêmio da União (5%) com um laudêmio privado da Igreja/Família Imperial (comumente 2,5%).
  • Deixar o pedido de CAT para a última hora e atrasar a escritura.
  • Não orçar os 5% de laudêmio ao planejar a venda de um imóvel foreiro.

Aforamento, ocupação e domínio pleno: comparação

Quem é dono do terrenoAforamento (enfiteuse)União (direto) + foreiro (domínio útil)OcupaçãoUniãoDomínio plenoO proprietário
Cobrança anualAforamento (enfiteuse)Foro — 0,6%OcupaçãoTaxa de ocupação — 2% ou 5%Domínio plenoNenhuma (apenas IPTU)
Laudêmio na vendaAforamento (enfiteuse)Sim — 5%OcupaçãoSim — 5%Domínio plenoNão
Exige CAT para registrarAforamento (enfiteuse)SimOcupaçãoSimDomínio plenoNão
Análise típica no financiamentoAforamento (enfiteuse)Aceito, com documentação da SPUOcupaçãoMais restritivoDomínio plenoPadrão
Efeito no preço de revendaAforamento (enfiteuse)Comprador desconta o laudêmio futuroOcupaçãoDesconto e risco de regularizaçãoDomínio plenoSem impacto

Laudêmio da União x laudêmio privado no Rio

Alíquota usualUnião (SPU)5%Igreja / Família ImperialComumente 2,5%
Base legalUnião (SPU)Decreto-Lei 9.760/1946, Lei 9.636/1998Igreja / Família ImperialContrato histórico, regras privadas
Quem emite a guiaUnião (SPU)SPUIgreja / Família ImperialO detentor privado (Mitra ou herdeiros)
Documento que libera o registroUnião (SPU)CATIgreja / Família ImperialAnuência ou carta de quitação privada
Onde confirmarUnião (SPU)SPU Virtual, com o RIPIgreja / Família ImperialMatrícula e diretamente com o detentor

Para a explicação geral do laudêmio no Brasil — conceito, remição de foro, isenções e laudêmio privado fora do Rio —, veja o guia laudêmio de imóvel: o que é e como funciona.

Segundo exemplo: apartamento de R$ 450.000 em Botafogo

O exemplo de R$ 800.000 acima mostra o topo da faixa. Em um apartamento mais modesto, num prédio antigo de Botafogo, os números ficam assim:

Laudêmio (União)Alíquota5%Valor (R$ 450.000)R$ 22.500
ITBIAlíquota3%Valor (R$ 450.000)R$ 13.500
Foro anual (terreno em R$ 150.000)Alíquota0,6%Valor (R$ 450.000)R$ 900 por ano
Escritura + registroAlíquota—Valor (R$ 450.000)~R$ 4.000–8.000

Total de R$ 22.500 de laudêmio somados a R$ 13.500 de ITBI: R$ 36.000 em tributos de transferência, antes de escritura e registro. Proporcionalmente, o peso é o mesmo do exemplo de R$ 800.000 — o que muda é o valor absoluto que precisa estar em caixa no fechamento.

Como saber se o imóvel no Rio é foreiro antes de fazer proposta

Antes de assinar proposta em bairros da orla ou da baía, percorra esta verificação. Ela é específica do Rio: nem toda cidade tem terreno de marinha em volume relevante.

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Verificação antes da proposta

Os dois primeiros passos acontecem dentro da matrícula: veja como ler a matrícula do imóvel e suas averbações e como a condição de foreiro entra na análise documental antes da compra.

Passo a passo da CAT no Rio: do fechamento ao registro

A CAT é o gargalo de prazo mais comum na venda de imóvel foreiro no Rio. Esta é a sequência prática, na ordem em que ela acontece.

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Sequência até o registro

Fora a CAT, a sequência é a mesma de qualquer transferência de imóvel até o registro. O laudêmio é um dos custos adicionais na compra que quase ninguém orça, e o regime por trás dele está detalhado no guia de enfiteuse e imóvel foreiro.

Ocupação x aforamento no Rio: o que muda na prática

No aforamento (enfiteuse), a União mantém o domínio direto do terreno e o particular detém o domínio útil: pode usar, vender, herdar e hipotecar o imóvel, desde que a SPU autorize a transferência. Esse titular é o foreiro, e paga o foro anual de 0,6%.

Na simples ocupação, não houve outorga formal de aforamento. O particular é ocupante inscrito na SPU e paga taxa de ocupação — 2% para inscrições a partir de 1988, podendo chegar a 5% conforme a data e as regras vigentes na inscrição. Na prática, para quem compra no Rio, a diferença aparece em três pontos: o nome e a alíquota da cobrança anual, a solidez do direito que está sendo adquirido e a análise que o banco faz no financiamento — imóvel apenas ocupado costuma encontrar mais restrição de crédito do que imóvel aforado.

O que não muda: os dois regimes geram laudêmio na venda e os dois exigem CAT da SPU antes do registro. Confundir "não tenho aforamento, então não pago laudêmio" é um dos erros mais caros em negociações na orla carioca.

Foro e laudêmio em atraso: o que trava a venda no Rio

Foro ou taxa de ocupação em atraso não impedem a assinatura de uma proposta, mas travam a etapa seguinte: a SPU não emite a CAT com débito em aberto, e sem CAT o Cartório de Registro de Imóveis não registra a escritura. Na prática, a venda para no meio do caminho, já com sinal pago.

A dívida é acompanhada de atualização e encargos e, em situações de inadimplência prolongada, a legislação patrimonial da União prevê consequências mais graves para o aforamento e para a inscrição de ocupação. Por isso, em imóvel foreiro no Rio, a regularização entra no cronograma antes da proposta, não depois.

Recomendação prática para quem compra: condicione o pagamento do sinal à apresentação dos comprovantes de foro em dia e ao protocolo do pedido de CAT. Para quem vende: levante os débitos antes de anunciar, porque o comprador vai descobri-los de qualquer forma na análise da matrícula.

Prazos reais da CAT e como não atrasar a escritura

O pedido de CAT envolve análise documental da SPU, avaliação do imóvel e emissão da guia de laudêmio. Esse conjunto costuma levar semanas, e o prazo varia conforme a completude da documentação apresentada e a situação cadastral do RIP.

Duas coisas encurtam o caminho: protocolar o pedido no mesmo dia em que a proposta é aceita e entregar de uma vez matrícula atualizada, documentos das partes e comprovantes de foro. Documentação incompleta gera exigência, e cada exigência reinicia parte da análise.

Prevendo esse prazo no contrato — com uma cláusula que fixe quem providencia a CAT e o que acontece se o prazo estourar —, comprador e vendedor evitam a discussão mais comum em imóvel foreiro no Rio: quem responde pelo atraso na escritura.

Perguntas Frequentes sobre Foro e Laudêmio no Rio de Janeiro

É a faixa de terra até 33 metros da linha de preamar média de 1831, pertencente à União e administrada pela SPU, com base no Decreto-Lei 9.760/1946 e na Lei 9.636/1998.
O foro é a taxa anual de 0,6% sobre o valor do domínio pleno do terreno, paga pelo foreiro à União.
O laudêmio é 5% sobre o valor da transação (terreno mais benfeitorias), devido à União em toda transferência onerosa do domínio útil de imóvel foreiro.
Por costume, o vendedor paga, já que incide sobre a transferência do domínio que ele detém, mas isso é negociável no contrato de compra e venda.
A 5%, o laudêmio é de R$ 40.000.
É a cobrança anual sobre terreno de marinha apenas ocupado (sem aforamento), de 2% para inscrições a partir de 1988, ou 5%, dependendo do regime aplicável.
A Certidão de Autorização de Transferência, emitida pela SPU, autoriza a transferência de imóvel foreiro ou ocupado. Sem ela, o Cartório de Registro de Imóveis não registra a venda.
O foro (ou a taxa de ocupação) precisa estar em dia, e o laudêmio precisa estar pago ou com o pagamento formalizado junto à SPU.
Não. Muitos imóveis já tiveram remição de foro ou nunca estiveram sob aforamento. Verifique sempre a matrícula e confirme com a SPU.
O laudêmio da União (5%) segue o Decreto-Lei 9.760/1946 e a Lei 9.636/1998. Alguns imóveis são foreiros à Mitra Arquiepiscopal ou à Família Imperial, regime privado com laudêmio próprio, comumente 2,5%, sem relação com a SPU.
Em geral, R$ 24.000 de ITBI (3%, comprador) mais R$ 40.000 de laudêmio (5%, normalmente vendedor), além dos custos de escritura e registro.
Sim. Diante do processo de CAT, da avaliação da SPU e da documentação envolvida, o suporte opcional de um escritório de advocacia parceiro ajuda a evitar atrasos — trata-se de assessoria jurídica, não de corretagem imobiliária.

Foro, laudêmio e terreno de marinha: guias relacionados

Tudo o que cerca a compra de um imóvel foreiro, da matrícula ao custo final da transferência:

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Publicado em: 27 de julho de 2026Fonte: Decreto-Lei 9.760/1946, Lei 9.636/1998 e Secretaria do Patrimônio da União (SPU), consultados em 27/07/2026.